sexta-feira, novembro 27, 2020
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Campeã de Enduro, Késsia Pires fala da participação das mulheres no esporte

Faltam apenas quatro etapas para saber quem serão os campeões de Enduro de Regularidade. Nos dias 20, 21 e 22 de julho a cidade de Viana (ES) receberá o encerramento da temporada 2018 da competição.

Força feminina

Uma das novidades deste ano foi a inserção da categoria feminina. Ainda de forma tímida, as mulheres marcaram presença e mostraram bom desempenho. Com o título de campeã brasileira de Enduro já garantido, Késsia Pires é uma das poucas mulheres que pilotam por esporte. “A participação tem aumentado bastante. Hoje é possível encontrar mulheres em todas as modalidades do motociclismo. Mas vejo que existe um número muito grande de mulheres que andam de moto apenas por diversão, e são poucas que competem em alguma modalidade”, comentou.

Números que aumentam

Apesar do motociclismo ainda ser um universo masculino pode-se perceber o crescimento na participação das mulheres no esporte. Durante todo o ano de 2017 foram 163 filiadas à Confederação Brasileira de Motociclismo, um cenário que promete ser bem diferente de 2018. Até o momento, aproximadamente 150 mulheres já estão filiadas, mas o número deve aumentar nos próximos meses com o início de competições das modalidades off-road.

A opinião de Késsia Pires

Para Késsia a iniciativa da CBM em inserir uma categoria específica para pilotas é uma tentativa de motivar outras mulheres a participar do esporte.

“Estou muito feliz por poder competir dentro da nossa categoria e no final do campeonato ter o título reconhecido na CBM. Mas, no Enduro de Regularidade, infelizmente, a participação feminina ainda é bem reduzida. São poucas as praticantes dessa modalidade e estão espalhadas em todo o Brasil. Unir todas em uma prova é algo complicado, pois as diferentes fases da vida, como a maternidade e profissão, fazem com que ocorram pausas no esporte. Por isso que nem sempre é possível inserir a categoria feminina. Espero que consigamos incentivar outras mulheres e que esse seja o primeiro ano de muitos desta categoria”, disse a pilota.

Sempre em busca de evolução

A primeira campeã da categoria feminina de Enduro que está acostumada a correr entre os homens, espera ser um referência e um apoio às outras atletas.  “Competir entre os homens me torna mais persistente. Tenho consciência de que não possuo a habilidade de pilotar como alguns homens, mas tenho muita garra e determinação. Mais do que buscar um título, almejo proporcionar um bom exemplo a ser seguido por outras mulheres, incentivando-as a superar os desafios e o receio de mostrarem que são capazes de serem excelentes,” comentou.

Técnica e resistência

O Enduro é uma modalidade para mulheres movidas a desafio, já que se exige técnica e resistência.  “O mais desafiante é a limitação física das mulheres. Em algumas situações, não temos força o suficiente para levantar sozinhas a moto, ou retirá-la de um buraco ou enrosco. E evitar esse tipo de situação é fundamental para não nos desgastarmos ainda mais durante uma prova. Então temos que pilotar com o dobro de concentração o tempo todo”, explicou.

Próximos passos

No dia 22 de julho, Késsia Pires vai buscar o título na cidade de Viana e espera que as mulheres estejam presentes também fora das pistas para apoiar as atletas.

“O público feminino é essencial para a evolução do motociclismo entre as mulheres. Pois toda mulher que pratica o motociclismo hoje é porque acompanhava alguém da família que já praticava, ou viu outra mulher pilotando e se inspirou. Os grupos formados por mulheres têm aumentado cada vez mais, pois a admiração se espalha e a vontade de iniciar no esporte tem sido frequente por parte das mulheres”, finalizou.

Uma grande festa aguarda os campeões, onde será feito a entrega das premiações e estouro de champanhe.

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